Mobilidade Jovem em Ansião: Um desafio por resolver?


Os transportes públicos são um elemento de conexão entre localidades, e a sua importância traduz-se principalmente na sustentabilidade ambiental, uma questão com crescente relevância na sociedade. Para além do seu contributo ecológico, facilitam o desenvolvimento local, a autonomia dos cidadãos, a inclusão social, e a redução de custos. Importa ainda destacar a sua importância no acesso a bens, serviços, educação e emprego, bens cruciais para a qualidade de vida e coesão social.

A implementação de novas rotas, e redefinição das já existentes, entre outras soluções, tem um enorme potencial para dinamizar e valorizar o concelho, o que torna difícil encontrar um motivo plausível para que este infortúnio ainda não tenha solução à vista. É inegável a urgência de corrigir a ideia que se encontra implementada, no entanto, muito mal conseguida.

Ansião faz parte da Rodoviária do Liz, e por isso perfaz de uma conexão com Leiria, mas esta não será a única. O Agrupamento de Escolas de Ansião e a ETP Sicó de Avelar tem vindo a receber cada vez mais alunos oriundos de conselhos vizinhos como por exemplo de Alvaiázere, Pombal, Coimbra, Penela, Soure, Figueiró dos Vinhos, Pedrógão Grande e Castanheira de Pera. Também de Ansião saem alunos para o ensino superior, sendo Leiria e Coimbra os principais destinos, por serem zonas próximas, e com as quais Ansião hipoteticamente poderia dispor de melhores condições de deslocação. Estudando a situação, apercebemo-nos facilmente das principais adversidades a enfrentar. A oferta não está ao nível da procura e, ao invés de utilizar sabiamente a centralidade como uma mais-valia estratégica, esta continua gravemente subaproveitada devido à ineficiência da rede de transportes públicos que serve a região.

Vamos analisar com casos práticos. As rotas existentes, como Soure – Ansião, têm um horário pouco flexível e escasso, o que compromete seriamente a mobilidade dos residentes. Já a ligação Pombal – Pedrógão Grande, embora existente, chega a demorar duas horas, um tempo absolutamente desproporcional para a distância percorrida, agravado pela reduzida oferta de horários. Para quem pretende deslocar-se de, por exemplo Leiria, os horários de chegada dos autocarros são totalmente incompatíveis com as ligações subsequentes a Pedrógão Grande ou outras localidades próximas, criando um verdadeiro obstáculo à mobilidade estudantil e de certa forma um desincentivo para estudar no nosso distrito. Além disso, uma total ausência de ligações diretas entre Ansião e concelhos vizinhos como Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera e Leiria despromovendo a ligação entre os mesmos. A situação da rota Ansião – Coimbra não é melhor. Os horários são inacessíveis, desajustados à realidade diária dos utentes, e o tempo de viagem é igualmente excessivo.

E não indo sequer tão longe, o quotidiano dos próprios alunos que residem a poucos quilómetros de Ansião é revelador da magnitude do problema. Há estudantes que, vivendo a meramente 3 quilómetros do local onde estudam, vêem-se obrigados a percorrer uma rota que demora 1h30 a chegar ao destino. Um cenário absolutamente surreal, que contraria qualquer lógica de eficiência deste serviço.

Posto isto, não é descabida a sugestão da criação de uma infraestrutura rodoviária eficiente, com foco em estabelecer um centro de mobilidade funcional que responda às necessidades da população. Esta juntamente com a reestruturação de rotas, revisão interna de horários e a criação de ligações diretas entre concelhos vizinhos, não só projetaria uma imagem de um território mais sustentável e recetivo, mas também a coesão territorial.

A conclusão que se retira é que estamos perante uma fraca visão estratégica (ou ausência de uma) que continua a falhar, dispondo o nosso concelho do potencial necessário para ser uma verdadeira ponte entre o litoral e o interior do distrito. A questão que se impõe é apenas, quanto mais tempo é necessário perder, até que se concretize a mudança.


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