O custo invisível da investigação científica
Os bolseiros de investigação científica são, paradoxalmente, a espinha dorsal da produção de conhecimento em Portugal e, ao mesmo tempo, um dos grupos mais fragilizados dentro do sistema científico. O seu trabalho sustenta projetos, publicações e até atividades de ensino, mas continua a ser enquadrado como “formação”, o que legitima a ausência de direitos laborais básicos. O Estatuto do Bolseiro de Investigação foi criado com a narrativa de que as bolsas são oportunidades de aprendizagem. No entanto, e apesar de à primeira vista os valores parecerem competitivos, na prática estas bolsas funcionam como maus substitutos informais de contratos de trabalho: exigem dedicação exclusiva e cumprimento de responsabilidades científicas, mas não oferecem subsídio de desemprego, 13.º ou 14.º mês, nem proteção plena na doença. É um modelo que ainda perpetua mais a ideia de que o investigador é um “eterno estudante”, mesmo quando já possui experiência consolidada. Para além disso, os descontos p...