Viver ou sobreviver?!
Nós fazemos parte de uma geração que ouviu que estudar seria a chave do futuro, futuro esse que um dia seríamos nós e estaria nas nossas mãos. E agora que deixámos de ser o futuro e tornamo-nos o presente, como jovens, olhamos para a nossa volta e perguntamo-nos: estamos realmente a viver ou apenas a sobreviver?
Sobreviver virou uma rotina
para muitos na nossa geração. Sobrevive o estudante deslocado que paga rendas
incomparáveis para ter onde ficar durante a semana? Sobrevive a mãe solteira
que tem de sustentar os filhos sozinha com mero salário mínimo? Sobrevivem os
estagiários mal pagos? Sobrevive o reformado que não consegue comprar todos os
medicamentos porque precisa de comer? Sobrevivem aqueles cujo salário
desaparece antes do fim do mês, e que muitas vezes, não suporta todas as contas
que tem de pagar? No fundo sobrevivemos todos nós!
A crise da habitação é um dos
maiores reflexos desta realidade. Ter uma casa própria deixou de ser um
objetivo alcançável e passou a ser um privilégio. Muitos jovens adiam projetos
de vida – construir uma família, sair da casa dos pais – porque trabalhar já
não é a garantia de estabilidade, mas sim de sobrevivência.
Mas o problema é muito mais
profundo do que parece. Existe uma geração cansada. Cansada de ouvir promessas
vazias, discursos irrealistas, discursos esses que nunca passam do papel e se
tornam em realidade. Cansada de ser exigido tanto aos jovens e ser-lhes dado
tão pouco em troca.
É precisamente aí onde a
política tem de entrar. Os jovens precisam de políticas sérias, estruturadas e
orientadas para resultados concretos: com salários dignos, habitação acessível
e esperança num futuro melhor. Defender os jovens não é um favor eleitoral nem
uma bandeira intemporal, deve ser um compromisso com o futuro do país. É fazer
uma geração não perder a esperança no país!
Porque, quando uma geração
perde a esperança, Portugal perde talento, ambição e capacidade de construir um
amanhã melhor. A verdadeira questão é: queremos continuar a viver num país onde
os jovens sobrevivem ou construir um país onde possamos realmente viver?
