Com toda a certeza!
Vivemos num mundo repleto de
opiniões, e talvez seja esse o problema. Dos inúmeros temas que nos rodeiam
atualmente: política, guerra, ambiente, imigração, economia, é raro encontrar
alguém imparcial ou disposto a admitir dúvida. A questão é: será o problema o
excesso de opiniões, ou a falta de pensamento por trás delas? Porque nunca foi
tão fácil ter uma opinião, e nunca foi tão comum defendê-la com uma certeza que
nem sempre corresponde ao conhecimento que a sustenta.
Somos a geração da certeza.
Duvidar parece falta de convicção, admitir não saber parece ignorância e mudar
de opinião parece fraqueza. Como resultado, as pessoas preferem ser assertivas
e intransigentes ao invés de ponderar melhor.
Estamos expostos a tanta
informação, somos diariamente cercados por ela, daí surge outro problema:
opiniões rápidas, reflexão lenta. Precisamos apenas de um tweet, um
título de notícia, um vídeo de 30 segundos ou uma frase fora de contexto para
formarmos a nossa posição. Escassa é a verificação, a pesquisa e, mais uma vez,
a dúvida.
Temos de compreender que a
dúvida não é o inimigo, a dúvida é o caminho para a verdade. Em todo e qualquer
campo da nossa vida, questionar é maturidade, rever posições é crescimento e
estar verdadeiramente disposto a ouvir o outro lado é uma mais-valia.
Na política isto revela-se
cada vez mais. Parece que se escolhem equipas de futebol; nós contra eles, os
“bons” contra os “maus”, a direita contra a esquerda. É importante discutir
ideias, não defender equipas. O objetivo é comum a todos – fazer as escolhas
corretas.
Por isso digo, talvez o maior
desafio da nossa geração não seja escolher um lado – mas sim aprender a duvidar
do nosso. E seria desonesto terminar sem admitir que também eu sou parte deste
ruído. Também eu faço parte desta geração tão apressada a opinar e demorada a
compreender. Num mundo cheio de certezas, talvez a dúvida seja o ato mais
corajoso.
