Mérito, a palavra que a política esqueceu!
O
Estado Social é umas das maiores conquistas da nossa democracia. A existência
de apoios para quem está em situação vulnerável, o acesso gratuito à saúde, à
educação, e a prestações sociais são garantias fundamentais de uma sociedade justa
e equilibrada. O problema começa quando se esquece que proteger quem precisa
não deve significar ignorar quem se esforça.
Na
nossa terra, como em tantas outras, não faltam casos de quem vive de esquemas,
de quem sabe exatamente o que dizer para receber um apoio ou subsídio, enquanto
outros, que vivem do seu salário ou de pensões modestas, vão ficando de fora.
Multiplicam-se
os casos de quem sabe jogar com o sistema. Pedem apoios enquanto recusam
ofertas de emprego. Declaram rendimentos mínimos, mas vivem confortavelmente.
Apresentam-se como carenciados, mas têm negócios informais ou ajudas paralelas
que não entram nas contas. E é assim que o Estado Social, em vez de promover a
justiça, acaba por criar desigualdade.
Ajudar
quem precisa não está, nem pode estar, em causa. Mas é profundamente injusto
quando o sistema começa a premiar a desistência em vez da superação. Quando se
facilita a quem não tenta e se esquece quem tenta todos os dias. Quando os
apoios parecem mais fáceis para quem se encosta do que para quem luta com
dignidade.
Este
desequilíbrio não é apenas moralmente injusto. É perigoso. Porque desmotiva os
mais competentes, desincentiva o trabalho honesto e alimenta o ressentimento
social. Pior: lança uma geração numa confusão de valores, onde se aprende que o
esforço nem sempre compensa, e que, às vezes, o truque é saber contornar o
sistema, não contribuir para ele.
Um
Estado Social forte não é aquele que dá tudo a todos, mas o que apoia com
critério, distingue quem se esforça e garante que a solidariedade não se
transforma em oportunismo. Porque uma sociedade que esquece o mérito está, aos
poucos, a esquecer o seu futuro.
