Atividades de Enriquecimento Curricular: para quando um novo olhar?!
Numa altura em que o Verão está a acabar e com o seu fim é tempo de pensar no regresso às aulas. Com o regresso às aulas os pais também regressam aos seus trabalhos e começam a procurar atividades para colocarem os filhos até á hora de os irem buscar. Felizmente nos dias de hoje, existem várias opções com ATL, piscina, música, ginástica, futebol/futsal entre outras, mas até chegarem a essas atividades muitos deles têm de ficar na escola e para ficarem entretidos, de alguns anos para cá que nas escolas existem as AEC (Atividades de Enriquecimento Curricular), mais precisamente desde 2005, sendo estas uma oferta gratuita.
Foi
concretizado pelo Despacho n.º 16 795/2005, de 3 de agosto que deliberou para
os “estabelecimentos de educação e ensino público onde funcione a educação
pré-escolar e o 1º ciclo do ensino básico” a obrigatoriedade de oferta de
atividades que contemplam não só a língua estrangeira, como também a “aquisição
de competências desportivas, musicais (…) informáticas, entre outras”. O
despacho referia-se ainda à importância do desenvolvimento destas atividades
por motivos determinantes, como sejam: o desenvolvimento das crianças e o seu
sucesso escolar futuro; o papel fundamental que as autarquias, associações de
pais e instituições particulares de solidariedade social desempenham no apoio
às famílias, aos alunos e às escolas; a importância de continuar a adaptar os
tempos de permanência das crianças e dos alunos na escola às necessidades das
famílias e garantir que esse tempo escolar seja pedagogicamente rico para as
suas aprendizagens e para a aquisição de competências básicas e essenciais.
Nos
dias de hoje, é da total responsabilidade das autarquias a contratação dos
profissionais que asseguram as AEC.
Mas
qual é o papel das AEC e destes professores? É só passar tempo com os miúdos e
entretê-los? Não! O papel das AEC vai muito para além disso. Passamos grande
parte do dia com as crianças e todos os dias temos que ter atividades pensadas
e idealizadas para fazer com eles, muitas delas têm que ir de encontro com os
seus programas em sala de aula bem como das festividades (por exemplo, no Natal
eles têm que levar algo feito por eles no contexto de AEC).
O
professor de AEC, tal como os professores titulares, não trabalha só com as
crianças no contexto de escola propriamente dito. Há todo um trabalho em casa,
planear atividades, entre outras. E na maior parte das vezes, sentimos que esse
trabalho é “desvalorizado” tanto pelos professores, como pelos pais e
principalmente pelo governo, que não vê que temos um papel importante no
desenvolvimento da criança.
Como
lia aqui á uns tempos num blogue, os professores das AEC são uma espécie de
mão-de-obra barata que estão ao dispor dos interesses das máquinas político-partidárias
instaladas em muitas autarquias e no poder central.
Será
que num futuro próximo, os professores das AEC serão valorizados e que
respeitarão o trabalho desenvolvido, assegurando a sua integração nos quadros
do Ministério da Educação?
